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Mensagem de 22.09.19


Irmãos, não falem mal uns dos outros. Aquele que fala mal do irmão ou julga o seu irmão fala mal da lei e julga a lei; ora, se você julga a lei, não é observador da lei, mas juiz. Um só é Legislador e Juiz, aquele que pode salvar e fazer perecer. Mas quem é você para julgar o seu próximo? (Tiago 4.11 - NAA)


Você já falou mal de alguém alguma vez na vida? Como se sentiu? Por incrível que pareça, segundo estudos científicos recentes, deve ter se sentido bem, pois, enquanto falava mal de alguém, seu cérebro liberava endorfina, serotonina, diminuindo o estresse e ansiedade. Agora, diga-me a verdade: Você já ficou sabendo de alguém que falou mal de você? Como se sentiu? Nem precisa de estudo científico para dizer o quanto se sentiu desprezado, traído, ofendido, injustiçado. Pois bem, mesmo que falar mal de outra pessoa traga uma sensação inicial de prazer, causando até dependência dessa química liberada no organismo, é fácil perceber que torna o mundo hostil, destrói relacionamentos, prejudica ambientes. Ou seja, tema de muitos desafios.

Nesse pequeno trecho, Tiago lança o desafio de não falarmos mal dos outros. Quem fala mal dos outros é popularmente conhecido como fofoqueiro. Fofoca é mexerico, bisbilhotice, fuxico, futrica, cochicho, intriga, calúnia. É também boato, falatório, diz que diz, balela. Quer seja uma verdade revelada, quer seja uma mentira inventada, em geral provoca difamação da pessoa alvo, detratação de sua imagem. O fofoqueiro é uma espécie de traficante de escândalo, maledicente da vida alheia, agiota da indiscrição, mestre da especulação. Alimenta-se do infortúnio do outro, deleita-se na desgraça do inimigo, ou nem precisa ser inimigo para expor a vergonha de outrem. É ardiloso, doloso, paroleiro, traiçoeiro. Com tudo isso, fica claro que gente boa não é.

Tiago foi além e lançou o desafio de não falarmos mal uns dos outros. O emissor não tem vida sem um receptor ávido. Coisa de gente tóxica e má (Provérbios 17.4). Toda fofoca acabaria na raiz se não tivesse quem desse ouvidos a ela (Provérbios 26.20). É necessário mutualidade, reciprocidade. Em outras palavras, é fofoqueiro quem produz o falatório, mas também quem o recebe. Essas pessoas são consideradas perversas pela Palavra de Deus, provocadores de contendas capazes de separar os melhores amigos (Provérbios 16.28), pois revelam segredos que desprezam o ser humano (Provérbios 11.12-13). Por essa razão, o detrator fofoqueiro está debaixo da ira de Deus (Romanos 1.29-32; Provérbios 6.16-19), pois, ao agir com conversas inúteis e profanas, promove a impiedade, razão pela qual deve ser evitado (2 Timóteo 2.16). É típico de pessoas ociosas e intrometidas acostumadas a falar o que não convém (1 Timóteo 5.12-13).

No texto, Tiago termina lançando o desafio de não nos posicionarmos de maneira superior aos outros. Isso mesmo, quem fala mal do outro sente-se acima, superior, em posição de julgamento. Alimenta sua sensação de arrogância agindo com desdém, questionando a moral alheia, arruinando a reputação do próximo sem qualquer pudor, disposto a emitir opinião desfavorável sobre o caráter e as ações dos outros, julgamentos precipitados, injustos e desagradáveis sobre eles. Sabendo da tendência de o ser humano emitir opiniões onde não é chamado, disparar comentários inapropriados a respeito da vida de terceiros, criar preconceitos rapidamente e julgar outras pessoas com base no conjunto pessoal de valores, Jesus orientou veementemente a não julgarmos e que seríamos julgados da mesma forma que julgarmos (Mateus 7.1-5). 

Em Cristo, é perfeitamente possível abandonar o hábito de falar mal de outros, rejeitar aqueles que falam mal de outros para nós, com a consciência de que não somos melhores do que ninguém. A conclusão não poderia ser mais simples do que esta: somos desafiados a falarmos bem uns dos outros. Se não for para isso, melhor ficarmos em silêncio.

Rev. Rodolfo Garcia Montosa