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Mensagem de 26.01.20

Quando o sogro de Moisés viu tudo o que ele fazia ao povo, perguntou: — Que é isto que você está fazendo ao povo? Por que você fica sentado sozinho e todo o povo está em pé diante de você, desde a manhã até o pôr do sol? ... Não é bom o que você está fazendo ... Com certeza todos ficarão cansados, tanto você como este povo que está com você ... Escute agora o que vou dizer. Eu o aconselharei, e que Deus esteja com você ... Moisés atendeu às palavras de seu sogro e fez tudo o que este lhe tinha dito   (Êxodo 18.14, 17, 18, 19, 24 - NVI).



Somente um dia de observação foi o suficiente para Jetro diagnosticar problemas no trabalho de Moisés. Considerado um dos maiores líderes da história, Moisés tinha sido educado na melhor ciência do Egito (Atos 7.22a), era  poderoso em palavras e em obras (Atos 7.22b; Dt 1.1; Dt 34.11),  artista inspirado (Êxodo 25.9),  idealista dedicado (Hebreus 11.23), foi usado por Deus em grande manifestação de poder sobrenatural (Êxodo 14.31). Mesmo sendo muito qualificado, Moisés desconhecia o perigo alertado pelo sogro. Em outras palavras, Jetro estava alertando que desordem gera cansaço! Claro diagnóstico que encontra alguém com disposição de aprender, alguém com um coração ensinável.

Observa-se, em Moisés, que o coração ensinável é aberto para ouvir pessoas com opinião diferente de suas próprias ideias. É claro que não era ouvir qualquer pessoa. Jetro era confiável, isento, experiente e cheio de sabedoria. No passado, Moisés tinha agido por seus impulsos (quando matou o egípcio), tendo sua vida transtornada. Pior ainda, perdeu a condição de interceder por seu povo. Mas, neste momento de maturidade nos seus oitenta anos, encontramos alguém com a vida transformada, flexível a ouvir, sabendo que não é o dono da verdade. Suas faculdades mentais estão abertas o suficiente para discernir a validade daquela direção. Bons conselhos precisam de ouvidos abertos de verdade.

Nota-se, também, que o coração ensinável é desprendido. O conselho teve implicação na repartição do poder de Moisés. Exigiu desprendimento e espírito de servo. Moisés se arrisca ao aparecimento de tantos outros que poderiam ser melhor que ele mesmo. Apesar de sua história de êxito ao libertar o povo, os tempos novos seriam outros e poderiam implicar em ameaça de nova liderança. Moisés não se preocupou com isso. Estava atento a cumprir a vontade e direção de Deus. Mesmo que isso o retirasse da posição de líder maior. Seu coração estava desprendido pelo poder. Bons conselhos exigem morte da vontade pessoal, apegada ao poder ou posição.

Por último, destaca-se que o coração ensinável é flexível, tem disposição para mudar. Como disse alguém, saber e não fazer é não saber. Por isso, tudo só se completa quando Moisés vai adiante e implanta a mudança aconselhada. Mudanças exigem muito mais que pensamos e calculamos. Exigem determinação, persistência e muita vontade. Determinadas mudanças exigem um renascimento, uma reprogramação mental, um desejo de eliminar determinados hábitos e preferências que só conseguimos quando Deus opera de fato em nosso coração. Bons conselhos exigem a atitude necessária para enfrentar as mudanças necessárias.

Assim como na vida de Moisés, Deus quer transformar nossa vida para nosso próprio bem e de todos aqueles que nos cercam (2 Coríntios 3.18; Filipenses 1.6). Ele sabe o quanto precisamos aprender, desaprender e reaprender. Por isso, dentre outras estratégias, o Senhor levanta “Jetros” para nos ajudarem na caminhada. Vale a pena o conselho que vem do próprio coração de Deus e que só é percebido por aquele cujo coração é ensinável.

Rev. Rodolfo Garcia Montosa