A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vocês
(2 Coríntios 13.13 – NAA).
Do amor nasce a graça. Pela graça entramos na comunhão. E na comunhão, permanecemos no amor. Esse ciclo eterno da Trindade é revelado na chamada “bênção apostólica” (2 Coríntios 13.13), que não é apenas uma saudação final da carta paulina, mas uma profunda declaração de fé, não apenas uma despedida, mas um resumo da vida cristã experimentada na Trindade. Deus é um só, que subsiste eternamente em três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. Vivem em perfeita unidade, amando-se desde sempre. Esse mistério não é apenas para ser crido, mas vivido. Fomos chamados a participar desse relacionamento trinitário, acolhidos na família de Deus.
A graça do Filho é favor imerecido e voluntário. Não há mérito em nós que obrigue Jesus a agir com graça. Se houvesse merecimento, seria pagamento; se houvesse obrigação, seria quitação. Mas graça só é graça se for, ao mesmo tempo, imerecida da nossa parte e voluntária da parte de Jesus. Como ele mesmo disse: Ninguém tira a vida de mim, mas eu a dou por minha espontânea vontade (João 10.18). Nada o obrigou. Nada o impediu. Ele é Deus, faz o que quer, quando quer, como quer. E, por isso mesmo, decidiu nos amar.
O amor do Pai não é um atributo entre outros – é sua própria essência. Deus não apenas ama; Deus é amor (1 João 4.8). Em outro ângulo: o amor é Deus. Não qualquer amor, mas o amor ágape. O ágape é paciente, é benigno; o ágape não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O ágape jamais acaba (1 Coríntios 13). Esse amor, revelado em sua forma mais pura como ágape, é a fonte de todos os outros amores: o familiar (estorge), o fraternal (filéo), o conjugal (eros). Ao sermos alcançados por esse ágape, somos capacitados a amar como ele ama: exageradamente. Como está escrito: Nós amamos porque ele nos amou primeiro (1 João 4.10, 19).
A comunhão do Espírito Santo é o dom precioso da presença divina habitando em nós. É relacionamento íntimo e contínuo, não apenas sobre partes da vida, mas sobre a vida toda, em todo o tempo, em qualquer circunstância. Como está escrito: Não sabem que vocês são santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vocês? (1 Coríntios 3.16). Por meio da oração, da Palavra, da adoração e da comunhão com os irmãos, cultivamos essa presença que nos conecta à própria vida de Deus, capacitando-nos a viver com plenitude, graça e verdade.
A experiência cristã é marcada pela graça vivida em Cristo, enraizada no amor do Pai e sustentada pela comunhão com o Espírito. A graça é a porta de entrada, o amor é o lar que nos acolhe e a comunhão é a mesa que nos alimenta. Sim, o Deus Trino é o fundamento de toda a esperança e satisfação: o Pai ama, o Filho redime, o Espírito une. Mais do que conhecer esse mistério, somos chamados a viver dentro dele. Esse é o fundamento de nossa vida com Deus: não apenas saber quem ele é, mas desfrutar de quem ele é, para todo o sempre.
Pr. Rodolfo Montosa


