Jejum e oração

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Porque vocês não receberam um espírito de escravidão, para viverem outra vez atemorizados, mas receberam o Espírito de adoção, por meio do qual clamamos: “Aba, Pai” (Roma­nos 8.15 – NAA).

Iniciamos a jornada de 21 dias de jejum e oração, não como programação da igreja, mas como convite para ali­nhar o coração, silenciar distrações e buscar a presença do Senhor com mais intensidade. Há momentos em que Deus nos chama a desacelerar por fora para tratar o que está por dentro. Há tempos em que ele nos atrai para per­to, formando em nós um coração rendido.

Romanos é uma das porções mais profundas das Escri­turas. O capítulo 8 resplandece como ponto alto. Nesse cenário de revelação teológica somos conduzidos a com­preender algo essencial: a oração não nasce do esforço hu­mano, mas do relacionamento profundo com o Pai. Ao mergulharmos nessa passagem, somos desafiados a mu­dar nossa perspectiva sobre o falar com Deus. Por meio da exposição apostólica (Paulo), o Espírito Santo nos conduz a respostas fundamentais para três perguntas que definem nossa caminhada aos pés de Jesus.

Onde a oração começa (vv 15-16)? Na filiação. Não nasce de fórmulas, esforço humano ou palavras ensaiadas, mas da posição que o Senhor nos deu: filhos. Recebemos o Espírito de adoção, e, por meio dele, clamamos: Aba, Pai! Esse clamor não vem de técnica, mas de relacionamento. É como um bebê que ainda não sabe se expressar, mas é compreendido e cuidado pelo pai. Há confiança, depen­dência e vínculo. Assim também acontece na oração. Jesus removeu as barreiras. Não nos aproximamos como estra­nhos, nem tentamos conquistar acesso; chegamos como filhos, com liberdade e segurança, sabendo que somos ouvidos. Mesmo quando faltam palavras, o coração en­contra descanso ao se voltar para o Pai. Não falamos para sermos aceitos; falamos porque já fomos recebidos.

Onde a oração amadurece (v 26)? Na ação do Espírito Santo. Não cresce na autossuficiência, mas quando reco­nhecemos nossa dependência. Há momentos em que não sabemos como orar, nem conseguimos expressar o que sentimos. É nesse lugar de fraqueza que o Espírito interce­de por nós com gemidos inexprimíveis. Nossa limitação  não impede a oração. Antes, promove espaço de transfor­mação. O Espírito trabalha onde as palavras não alcan­çam, alinha o coração e nos ensina a depender de Deus. Amadurecer na oração é aprender a confiar nas respostas do Senhor. Nem sempre ele dirá “sim”, mas o “não” carrega cuidado, direção e graça. Antes de mudar circunstâncias, Deus transforma quem ora.

Onde a oração alcança (v 34)? O céu. Aquilo que nasce no coração de um filho e amadurece pela ação do Espírito chega ao seu destino: a presença do Pai. Jesus está à direita de Deus e intercede por nós. Essa verdade traz descanso. Não oramos sozinhos. O Espírito intercede em nós, e o Filho intercede por nós diante do Pai. Nossa oração não se perde, não volta vazia, nem fica suspensa no caminho. Ela alcança o trono da graça, chega ao coração daquele que conhece tudo, sustenta tudo e pode trazer à existência o que ainda não existe. Há paz em saber que nosso nome é conhecido no céu e que nossa história está diante de Deus.

Nesta caminhada de 21 dias, o Senhor nos convida a viver relacionamento. A oração começa quando nos reconhe­cemos filhos, amadurece quando nos rendemos ao agir do Espírito e alcança o céu porque Cristo intercede por nós. Por isso, não transforme esse tempo em obrigação. Che­gue aos pés de Jesus com sinceridade e coração aberto, do modo como nossa amada irmã Juliana prostrou-se com sua intercessão e pedidos aos pés da cruz, sem desculpas por sua limitação física, porque sua identidade está firma­da em Cristo: filha amada do Pai.

Orar é participar da comunhão da Trindade: estar no Pai, pelo Filho, no poder do Espírito Santo.

Por Alexandra Barbon

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