Mensagem do culto de aniversário da nossa Igreja.
Sejam fortes … mãos à obra … eu estou com vocês (Ageu 2.4 – NVT).
Celebrar um aniversário nos convida a olhar para trás. Iniciar uma construção nos convida a olhar para frente. Hoje fazemos as duas coisas ao mesmo tempo. Rendemos graças ao Senhor por 88 anos de fidelidade na história da Primeira Igreja Presbiteriana Independente de Londrina e, ao mesmo tempo, damos os passos de uma nova etapa, marcada pelo início da construção do novo Espaço Esperança.
Esse momento nos aproxima da realidade vivida pelo povo nos dias do profeta Ageu. Depois de décadas no exílio na Babilônia, Deus lhes concedeu o privilégio de voltar para Jerusalém. O entusiasmo do retorno logo se transformou em trabalho. O altar foi reconstruído, os alicerces do templo foram lançados e parecia que um novo tempo havia começado. Mas a oposição, as dificuldades e o desânimo fizeram a obra parar por cerca de dezesseis anos.
O problema, porém, não era apenas a oposição dos inimigos. No primeiro capítulo do livro, Deus revela a verdadeira causa da paralisação. O povo havia voltado para a terra prometida, mas ainda não havia voltado para Deus. Cada um estava ocupado construindo a própria casa luxuosa, cuidando dos próprios interesses e reorganizando a própria vida, enquanto a casa do Senhor permanecia em ruínas. Haviam sido libertos do cativeiro, mas estavam perdendo, pouco a pouco, a consciência de sua identidade como povo da aliança. O templo abandonado revelava um coração distante de Deus. E o coração distante fazia uma vida infeliz: plantavam muito e colhiam pouco; comiam, mas não se saciavam; bebiam, mas ainda tinham sede; vestiam-se, mas não se aqueciam; seus salários desapareciam como se eles os colocassem em bolsos furados (Ageu 1.6).
Foi então que o Senhor levantou o profeta Ageu para falar clara e intensamente. Aliás, a expressão “assim diz o Senhor” e equivalentes aparecem 17 vezes nos 38 versículos do livro. Sua mensagem não era apenas sobre reconstruir um edifício, mas sobre recolocar Deus no centro da vida do povo. O povo se arrependeu, retomou a construção e voltou a colocar as mãos na obra. Mas surgiu um novo desafio. Os mais idosos olhavam para aquela construção inacabada e modesta e se lembravam do glorioso templo de Salomão. Comparavam o presente com o passado. O novo templo parecia pequeno, simples e sem brilho. O entusiasmo começou novamente a desaparecer.
É nesse contexto que Deus dirige esta palavra ao seu povo: Mas assim diz o Senhor: ‘Seja forte, Zorobabel! Seja forte, sumo sacerdote Josué, filho de Jeozadaque! Sejam fortes, todos vocês que restam na terra! Mãos à obra, pois eu estou com vocês’, diz o Senhor dos Exércitos (Ageu 2.4 – NVT).
Essa mesma palavra atravessa os séculos e chega até nós nesta manhã: O que Deus quer dizer quando nos chama e diz “Mãos à obra”?
Mãos à obra é com todos. A primeira coisa que chama a atenção é que Deus não dirige essa palavra a uma única pessoa. Ele chama Zorobabel, o governador. Chama Josué, o sumo sacerdote. E, por fim, chama todo o povo: “Sejam fortes, todos vocês que restam na terra.” Ninguém ficou de fora. A reconstrução do templo não era responsabilidade apenas da liderança política, nem apenas da liderança espiritual; era uma missão compartilhada. Deus chama pessoas pelo nome para participarem de uma obra que pertence a todos. Essa continua sendo uma verdade permanente: a obra de Deus nunca pertence apenas aos pastores, presbíteros, diáconos ou líderes de ministério. Ela pertence a todo o povo de Deus. Há quem pregue, há quem ensine, há quem administre, há quem ore, há quem evangelize, há quem acolha, há quem contribua. Os dons são diferentes, as responsabilidades são diferentes, mas a missão é uma só. Hoje, ao iniciarmos a construção do novo Espaço Esperança, essa mesma palavra ecoa entre nós. Não estamos assistindo à obra de alguns; Deus está chamando toda a igreja. Os que vieram antes de nós colocaram as mãos à obra e deixaram um legado precioso. Agora chegou a nossa vez.
Não é somente com todos. Mãos à obra é com tudo. O Senhor repete três vezes: “Sejam fortes … sejam fortes … sejam fortes.” O Senhor sabia que o maior obstáculo não era a falta de pedras, madeira ou recursos. A obra nunca dependeria da riqueza do povo, porque todos os recursos pertencem ao Senhor. Por isso, a declaração: Minha é a prata, e meu é o ouro, diz o Senhor dos Exércitos (Ageu 2.8). A obra de Deus feita na visão de Deus sempre terá os recursos de Deus. O maior obstáculo era o coração distraído e desanimado do povo. Alguns ficaram distraídos ao redor de si mesmos. Outros se lembravam do templo de Salomão e concluíam que aquela obra jamais alcançaria a mesma grandeza. Daí a insistência tríplice: Sejam fortes. Em outras palavras: sejam intensos, sejam intencionais, sejam perseverantes, sejam determinados. Sejam fortes no propósito, sejam fortes na consciência, sejam fortes nas emoções, sejam fortes por inteiro. Antes da construção, Deus trabalha no nosso interior. O despertamento do Senhor nunca significou apenas colocar energia em um projeto; significa colocar toda a vida diante de Deus. É servir com o coração, com a mente, com os dons, com o tempo, com os recursos e com a oração. É ir com tudo. Celebrar 88 anos significa agradecer pelo que Deus fez, mas também recusar a tentação de viver acomodado nas memórias. A igreja honra seu passado quando avança ao futuro dirigida pelo Senhor.
Mãos à obra é com todos. Mãos à obra é com tudo.
Ora, se ninguém fica de fora e nada fica de fora, Deus também não fica de fora.
Mãos à obra é com ele. É justamente aqui que encontramos o fundamento, a força e a beleza de toda esse episódio. Deus não diz: “Sejam fortes, mãos à obra e, então, eu estarei com vocês.” Ele diz algo poderoso: “Por que eu estou com vocês, sejam fortes, mãos à obra.” Sua presença não é a recompensa da obediência; é o motivo da obediência. Não trabalhamos para que Deus venha. Trabalhamos porque Deus já está conosco. Foi essa presença que sustentou Moisés na jornada. Foi essa presença que sustentou Josué diante da conquista da terra prometida. Foi essa presença que sustentou os profetas em meio às dificuldades. E foi essa mesma presença que Jesus prometeu: “E eis que estou com vocês todos os dias, até o fim dos tempos.” É por isso que nossa segurança nunca esteve em nossos recursos, em nossos prédios ou em nossa capacidade de realizar grandes projetos. Nossa confiança repousa na presença do Senhor. Não caminhamos sozinhos. Aquele que nos chama é o mesmo que caminha conosco. Aliás, o melhor da caminhada é a companhia dele. O melhor da caminhada é quem caminha conosco. Ele continua dizendo: “Eu estou com vocês. Sejam fortes. Mãos à obra.”
Há aproximadamente dois mil e quinhentos anos, Deus olhou para um povo cansado e lhe disse: “Sejam fortes. Mãos à obra. Eu estou com vocês.” Hoje, essa mesma voz continua ecoando entre nós. Mas existe algo ainda mais belo no livro de Ageu. Quando aquele povo olhava para o novo templo, muitos pensavam que ele jamais alcançaria a glória do templo de Salomão. Então Deus lhes fez uma promessa surpreendente: A glória desta última casa será maior do que a da primeira (Ageu 2.9). Como isso seria possível? Não porque aquele templo teria mais ouro ou mais prata. A glória daquela casa não estaria nos materiais da construção, mas na presença de Deus. Séculos depois, essa promessa encontrou seu cumprimento em Jesus Cristo. Foi naquele templo reconstruído que o Filho de Deus entrou, ensinou, curou, consolou, anunciou o Reino e revelou a glória do Pai. A verdadeira glória do templo nunca esteve na sua arquitetura. Sempre esteve na presença de Cristo. Jesus é a glória incomparavelmente maior da segunda casa, da moradia permanente em nós, da habitação por meio do seu Espírito Santo para todo o sempre nos nosso coração.
É por isso que hoje, ao lançarmos a pedra fundamental do novo Espaço Esperança, precisamos nos lembrar de uma verdade essencial. Não se trata, em primeiro lugar, de concreto, aço, tijolos ou areia. Trata-se da presença de Deus. É ela que transforma um edifício em um lugar de adoração. É ela que faz uma igreja ser verdadeiramente gloriosa. O que estamos lançando hoje não é apenas o fundamento de um novo prédio. Estamos preparando um lugar onde crianças aprenderão a amar Jesus. Onde adolescentes encontrarão identidade em Cristo. Onde jovens descobrirão seu chamado. Onde casamentos serão restaurados. Onde famílias serão fortalecidas. Onde enfermos serão curados. Onde pecadores encontrarão perdão. Onde enlutados serão consolados. Onde joelhos se dobrarão em oração. Onde lágrimas serão enxugadas. Onde abraços comunicarão o amor de Deus. Onde cânticos subirão aos céus. Onde a Palavra continuará sendo anunciada com fidelidade. Onde homens e mulheres conhecerão Jesus mais profundamente e descobrirão que ele é a maior riqueza que alguém pode possuir. Não estamos construindo um monumento. Estamos preparando um lugar onde a presença de Cristo continuará transformando vidas.
Há 88 anos, uma geração ouviu esse chamado e colocou as mãos à obra. Graças à fidelidade daqueles irmãos, hoje estamos aqui. Agora chegou a nossa vez.
Mãos à obra é com todos. Que ninguém fique de fora.
Mãos à obra é com tudo. Que nada fique de fora.
Mãos à obra é com ele. Porque ele nunca fica de fora.
E se aquele que nos chama caminha conosco, podemos seguir em frente sem medo, com gratidão pelo passado, fidelidade no presente e esperança no futuro.
“Sejam fortes. Mãos à obra, pois eu estou com vocês”, diz o Senhor dos Exércitos. Amém.
Rodolfo Montosa
12 de julho de 2026 | Culto de lançamento da construção do novo Espaço Esperança


