Jesus, ouvindo isto, retirou-se dali num barco para um lugar deserto, à parte (Mateus 14.13).
Em menos de dois anos, tivemos duas mortes na família: meu irmão e meu pai. A dor atingiu a todos em jeito e intensidade diferentes. O processo de luto foi longo. Mal tínhamos nos recuperado da primeira perda, veio a segunda. O Consolador ministrou conforto. Os amigos trouxeram alívio. O tempo cicatrizou feridas.
Há notícias que machucam fundo. Quando Jesus soube da morte de João Batista – seu primo, profeta e companheiro na missão – ele não ignorou a dor. Simplesmente se afastou. Precisou de silêncio, de solidão, de ar puro. O Jardineiro que cura corações também conhece a dor de perdê-los.
O luto é esse tempo em que a alma busca abrigo. Jesus não negou sua tristeza; ele se retirou para sentir, orar e, quem sabe, chorar. Aliás, chorar foi algo que aconteceu em outros momentos. Jesus chorou na morte de seu amigo Lázaro (João 11.35). Jesus chorou na “morte espiritual” de Jerusalém (Lucas 19.41-42). Em tempos de perda, não precisamos correr nem provar força. Podemos apenas seguir os passos do Mestre: dar espaço à dor, sem medo de parecer fracos.
Assim como Jesus, todos precisamos enfrentar os lutos que passamos. Mas, mesmo no luto, Jesus não se fecha. Logo, a multidão o segue, e o Jardineiro volta a cuidar – curando os doentes, alimentando os famintos. O consolo que recebeu do Pai, ele passa adiante. Em Jesus, até o luto se torna solo fértil para nos aproximar de Deus e das pessoas.
Pr. Rodolfo Montosa


