O verdadeiro legado

Compartilhe:

No dia 10 de agosto, culto de Dia dos Pais, celebramos os 65 anos de ordenação do nosso amado pastor Messias Anacleto Rosa, nosso pai na fé, cuja vida e obra expressam o verdadeiro legado, aquele que, de fato, é transmitido às gerações seguintes de forma a impactá-las de forma profunda, por meio de valores sólidos, voltados ao que realmente importa: estar no centro da vontade de Deus.

O Reverendo Messias foi calorosamente homenageado pelos seus 65 anos de ordenação ao Ministério da Palavra e dos Sacramentos, durante a 62ª Assembleia Geral da IPI do Brasil em São Paulo. Replicando a homenagem, a fim de marcar a notável trajetória de 71 anos dedicados à pregação do Evangelho, a placa de reconhecimento e gratidão da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil, foi novamente entregue ao reverendo, desta vez pelas mãos do reverendo Mathias Quintela de Souza, sob o carinho do nosso pastor Rodolfo Montosa e aplausos calorosos da nossa 1ª IPI de Londrina.

O reverendo Messias relembrou vividamente sua ordenação, que ocorreu em 5 de janeiro de 1960, pelo presbitério de Maringá, tendo sido comissionado na IPI de Arapongas, com a cerimônia presidida pelo reverendo João de Godói. Seu primeiro contato com a pregação evangelística data de 1954, quando pregou pela primeira vez em um culto doméstico na casa de seus pais, usando como base o texto de Habacuque capítulo 3, versos 17 a 19: O Senhor Deus é a minha fortaleza, e faz os meus pés como os da corça, e me faz andar altaneiramente. No mesmo ano, com apenas 16 para 17 anos, o jovem Messias partiu para a Missão Evangélica Caiuá, onde trabalhou com os indígenas. Logo no primeiro domingo, ao ser escalado para pregar para um grupo de cerca de 10 pessoas, percebeu ao final da fala que apenas uma senhora idosa, com dificuldade de locomoção, havia permanecido. O início foi desafiador.

Ao longo de 71 anos de serviço exclusivamente dedicado ao Senhor, o reverendo Messias teve o privilégio de pregar em diferentes países, abrangendo quatro continentes. Sua atuação ministerial foi vasta, realizando casamentos, noivados, ofícios fúnebres, celebrações de batismo e profissões públicas de fé. Ele compartilhou a palavra divina para “ricos e pobres, brancos e pretos, cultos e incultos” em ampla e variada gama de locais, incluindo cadeias, hospitais, quartéis, templos, casas, cinemas, teatros, praças públicas, estádios, congressos e cemitérios.

Apesar de sua vasta experiência e impacto, o reverendo Messias descreve-se com humildade: “sem falsa modéstia não me sinto um orador, um brilhante pregador, sou uma pessoa simples, meus conhecimentos são parcos, sou uma voz que clama no deserto, sou o telefone de Deus”. Para o nosso pastor, pregar o evangelho não é motivo de glória pessoal, mas sim obrigação, ecoando o sentimento de “ai de mim se não pregar o evangelho”. Em sua visão, um bom sermão é uma jornada que “passa pela mente, joelhos, coração e, por fim, pela boca do pregador”, resultando em mensagens que atingem os ouvintes como flechas lançadas exclusivamente no poder do Espírito Santo.

Para o nosso pastor, a família é nosso porto seguro, fonte, inspiração, orvalho e motivação: “antes da igreja está a família”. Sua gratidão se estende profundamente à Igreja Presbiteriana Independente do Brasil, que o acolheu, ensinou, inspirou e proporcionou condições de estudar e se preparar para o exercício da sua vocação. Sem o apoio da igreja, não teria alcançado o que alcançou.

Dos seus 71 anos dedicados à pregação do evangelho, 52 foram dedicados à Primeira IPI de Londrina, aonde chegou em janeiro de 1973, aos 36 anos. Em Londrina, ele testemunhou o crescimento de gerações, casando muitos de seus membros, vendo seus próprios filhos se casarem e netos serem batizados na igreja. Agora, mais uma netinha chegando, Isabela, filha do João (o caçula) e da Sabrina.

Para o nosso pastor Messias, a Primeira IPI de Londrina foi a base de onde foi lançado para o mundo e que o acolheu, apoiou e cuidou dele e dos que o cercam. Comparando sua vida a uma vela que se gasta queimando aos poucos, ele expressou gratidão eterna, sentimento de profunda realização e satisfação: “valeu a pena, faria tudo de novo”.

Por Seminarista Paulo Povedano

Confira o pronunciamento do Pr. Messias aqui.

Transcrição do pronunciamento do Pr. Messias no momento da homenagem

Bom dia a todos. Pastor Jonas tinha uma expressão belíssima, ele dizia assim: “Dure bastante, mas não fique velho.” Como diz o título do último livro que escrevi, gratidão, não poderia ter outro sentimento em meu peito senão esse. Quase no apagar das luzes do meu ministério pastoral, agradeço a Deus e ao Conselho a oportunidade de me dirigir aos irmãos nesta hora em que recebo tão bela homenagem. São tantas e variadas lembranças, quantos lances não ocorreram, a vida passou rapidamente, o passado ficou para trás. Como pastor ordenado da IPI do Brasil, completei 65 anos dia 5 de janeiro de 2025. No longínquo janeiro de 1960, quando a maioria aqui não era sequer nascida, fui ordenado pelo Presbitério de Maringá, na IPI de Arapongas. Presidiu a cerimônia o reverendo João de Godói. O relator da comissão de exames e candidatos foi o saudoso pastor Antônio de Godói Sobrinho.

Como não me recordar da primeira vez em que preguei o evangelho? Foi em um simples culto doméstico na casa de meus pais, em 1954. O texto foi Habacuque capítulo 3, versos 17 a 19. No mesmo ano, fui para a Missão Evangélica Caiuá trabalhar na aldeia com os indígenas. Eu tinha 16 para 17 anos de idade. Logo no começo, em um domingo, fui escalado para pregar. O grupo era de cerca de 10 pessoas, o coração estava inflamado, a voz forte. A palavra era baseada em Atos 9. 1 a 9. Mas, quando terminei a fala, percebi que apenas uma pessoa estava presente, todas as outros foram embora. É bem possível que aquela velha senhora tenha sido a única a permanecer, pois não tinha condições físicas de sair sozinha. Realmente não fui bem-sucedido.

Além dos 65 anos ordenado, tive um ano na Missão Evangélica Caiuá, quatro anos no ISBL entre 55 e 58, além de mais um ano como missionário em Umuarama, em 1959, enviado pelo Sínodo Meridional. São 71 longos anos, tendo a honra de ser pregador do Evangelho de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. As experiências são muitas. Preguei em diferentes países, em quatro continentes. Quantos casamentos, noivados, ofícios fúnebres, celebrações de batismo e pública profissão de fé! Tive o privilégio de pregar para ricos e pobres, brancos e pretos, cultos e incultos. A palavra foi divulgada em cadeias, hospitais, quartéis, templos, casas, cinemas, teatros, praças públicas, estádios, congressos, cemitérios.

Sem falsa modéstia, não me sinto um orador, um brilhante pregador. Sou uma pessoa simples, meus conhecimentos são parcos. Sou uma voz que clama no deserto, sou o telefone de Deus. Faço a ligação entre os céus e os que ouvem aquilo que sai da boca, do fundo do meu coração. Se prego o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois sobre mim pesa essa obrigação. Ai de mim se não pregar o evangelho! Aprouve a Deus salvar os que creem pela loucura da pregação. Sempre digo que o bom sermão passa pela mente do pregador, pelos joelhos do pregador, pelo coração do pregador e, por último, pela boca do pregador. Então, a mensagem sai da boca do pregador como flecha que atingem o ouvinte. Esses são tocados pelo poder do Espírito Santo e dizem: Ah, este Jesus, Deus ressuscitou!

Minha gratidão à família. É o nosso porto seguro. Aprendi na caminhada que família é a fonte, a inspiração, o orvalho, a motivação. Quando estou bem no meu lar, sou um leão. Sempre entendi que antes da igreja está a família. À igreja, sou o que sou pela graça de Deus. A igreja me acolheu, me ensinou, me inspirou e me deu condições de estudar e me preparar para o exercício da minha vocação. Sem a igreja, eu não teria condições de alcançar o que alcancei, chegar aonde cheguei e ser o que sou.

São tantas pessoas que me marcaram durante a jornada: pastores, presbíteros, diáconos, obreiros, missionários, irmãos, amigos. Eu seria injusto se citasse alguns nomes, pois deixaria outros de lado. Homens e mulheres que me acompanharam, todos têm meu especial apreço. Dos meus 71 anos pregando o evangelho, 52 foram junto à Primeira IPI de Londrina. Aqui é a coroação da minha vida ministerial. Cheguei com 36 anos, em janeiro de 73, servi como pastor titular e agora prossigo como pastor emérito.

As crianças que encontrei já são avós. Casei muitos de vocês, todos como verdadeiros filhos nesta igreja. Meus três filhos se casaram aqui, meus netos foram batizados e agora na minha feliz [idade] estou ganhando uma neta linda, Isabela, que está por vir, filha do caçula, o João Marcos, que aqui nasceu também, e Sabrina. Esta igreja foi minha base. Daqui fui lançado para o mundo. Aqui Deus alargou minha tenda. Foi ela que me acolheu, me apoiou, cuidou de mim e dos que me cercam. Posso dizer que a minha vida foi em grande parte dedicada a esse rebanho, como uma vela aqui gastei, fui queimando, queimando aos poucos e hoje o pavio está bem pequeno, logo chegará o fim. Mas a minha gratidão é para sempre.

Que privilégio eu tenho de ser servo de vocês! Agradeço de forma especial ao nosso pastor geral Rodolfo Garcia Montosa, que como um bom timoneiro tem conduzido o barco com segurança até que cheguemos ao porto final. Valeu a pena, faria tudo de novo. Eu acho que um cisco caiu aqui no meu olho.

Parte superior do formulário

Parte inferior do formulário

Continue lendo

Mais Posts

Notícias
Comunicação IPILON

Ordenação

Na última terça-feira, 16 de dezembro, o Presbitério de Londrina reuniu-se em culto solene no Templo da nossa igreja para a ordenação pastoral de Audrei

Leia Mais »

Olá! Nós somos uma igreja em células.

Menu
Institucional
Missão Integral
Voluntariado

Login no Basis