Perto está o Senhor. Não fiquem preocupados com coisa alguma, mas, em tudo, sejam conhecidos diante de Deus os pedidos de vocês, pela oração e pela súplica, com ações de graças. E a paz de Deus, que excede todo entendimento, guardará o coração e a mente de vocês em Cristo Jesus (Filipenses 4.5b-7).
Como é bom saber que perto está o Senhor. Porque o Senhor está perto, podemos e devemos conversar com ele. Também é verdade que quanto mais conversarmos com ele maior será nossa percepção do quanto ele está perto. De uma maneira simples e direta o apóstolo Paulo ensina que a conexão próxima ao Senhor tem relação direta com a vida de oração. Quanto mais oração, maior a intimidade. Mas, preste atenção, não é qualquer tipo de oração.
A oração que produz conexão com o Deus vivo é do tipo abrangente: coisa alguma … em tudo. Alguns assuntos de nossa vida simplesmente não apresentamos a Deus em oração. Algumas vezes, pode ser que pensemos que não devemos incomodar a Deus com isso ou aquilo. Outras vezes, pode ser que agimos como quem sabe dar conta do recado e que essa área só depende de nós. Outras, então, pode ser simplesmente por inconsciência, desconhecimento, ou esquecimento. Aí, quando menos esperamos, aquilo que era pequeno, torna-se um grande problema, ou um grande desafio. Devemos desenvolver o hábito de orar os detalhes de nosso dia, agenda, decisões, enfim, de nossa vida. Isso ampliará a consciência do quanto dependemos e precisamos do Senhor.
A oração que produz conexão com o Deus vivo é do tipo direcionada: diante de Deus. Parece tão óbvio. Afinal, a quem mais dirigiríamos nossa oração? Na prática, contudo, nossa atenção é lançada em muitas direções que não na presença de Deus. Pedimos a Deus, mas saímos pedindo ao mundo. Quer seja nas relações comerciais, familiares, de amizade, pode acontecer de vomitarmos no outro o peso de nossos pedidos. Compartilhar faz parte da comunhão desenhada por Deus, desde que o destino final seja a presença de Deus. Somos filhos e entre nós e o nosso Pai Celestial não podem existir intermediários e mediadores.
A oração que produz conexão com o Deus vivo é do tipo intensa: pela súplica. Estamos falando daquela oração que vem das entranhas, insistente, persistente, humilde. Isso envolve tempo e profundidade, clareza e determinação. Muitas vezes será feita com lágrimas nos olhos, batendo no peito, “rasgando as vestes”. Súplica é mais do que pedir. É o reconhecimento explícito de nossa total dependência de Deus. É o clamor do necessitado, a voz do aflito, o grito do coração que sabe que não tem para onde ir, senão aos pés do Senhor. É o tipo de oração que não se contenta com formalidades ou discursos bem elaborados, mas que rasga a alma e se entrega de verdade.
A oração nos coloca na casa do Pai, para sentirmos o aconchego dos seus braços, a aceitação do seu olhar, a generosidade do seu ouvir, a leveza do seu falar, a segurança da sua presença. A oração é nosso melhor esconderijo, onde encontramos descanso e acessamos o banquete que nos alimenta, o banho que nos limpa, as vestes que nos cobrem. Quando experimentamos a conexão pela oração, daqueles momentos que parece até que podemos tocá-lo, convictos de que perto está o Senhor, a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o coração e a mente em Cristo Jesus.
Pr. Rodolfo Montosa
(trecho do livro Como Orar: o encontro surpreendente com o Eterno)


