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Disse, pois, Moisés aos filhos de Israel que celebrassem a Páscoa (Números 9.4).

A primeira Páscoa aconteceu como um evento no dia que Deus estava libertando o povo da opressão do Egito. No hebraico, a palavra se deriva do verbo pessach, que significa “passar por cima”, dando a ideia de poupar, proteger. Conforme orientação de Deus por meio de Moisés (Êxodo 12.21-24), cada família separou um cordeiro sem mácula que morreu em lugar de seu primogênito. O cordeiro não apenas tinha de ser morto, mas também seu sangue aspergido nos umbrais da casa e sua carne comida em uma refeição de comunhão. Essa refeição tornou-se decreto perpétuo e era acompanhada das explicações feitas pelos chefes de família para que todos celebrassem a grande salvação do Senhor.

Enquanto o Egito representa tudo o que escraviza e oprime, rouba e explora, a Páscoa marca o momento da libertação do povo, a transição para uma nova vida, em uma nova terra. Enquanto o Egito representa a desesperança e agonia, a Páscoa traz consigo novos sonhos, revela o Deus de promessas e provisão, ressuscita a vida em plenitude, mostra a graça do Senhor, o favor do Libertador.

Como as festas judaicas são sombras das coisas que haviam de vir (Colossenses 2.16-17; Hebreus 10.1), quando Jesus tomou sua última Páscoa, juntamente com seus discípulos (Mateus 26.19ss; Lucas 22.14ss), revelou a ligação entre a Páscoa histórica e sua própria vida em grande quantidade de conexões e semelhanças. Assim como a primeira Páscoa no Egito teve o episódio dos três dias de escuridão precedendo a morte dos primogênitos (Êxodo 10.21-23), as três horas de escuridão durante a cruz (Mateus 27.45) precederam a morte do unigênito (único filho) de Deus que se transformaria em primogênito (primeiro filho). Essa morte duraria também três dias de escuridão.

A essência da Páscoa revelou a graça salvadora de Deus. Deus tirou os israelitas do Egito, não porque eles mereciam, mas porque ele os amou e foi fiel à sua aliança (Deuteronômio 7.7-10). Semelhantemente, a salvação que recebemos de Cristo por meio da maravilhosa graça de Deus (Efésios 2.8-10; Tito 3.4-5).

O sacrifício da Páscoa foi um cordeiro “substituto” (Êxodo 12.27) e “sem mácula” (Êxodo 12.5). Isso foi prenúncio da morte do Cordeiro imaculado, impecável e perfeito Filho de Deus (João 8.46; Hebreus 4.15; 1 Pedro 1.19) em substituição à morte do crente (2 Coríntios 5.21; 1 Pedro 2.24).

A apropriação da Páscoa envolveu aplicar o sangue nos umbrais das portas para livramento da morte dos primogênitos (Êxodo 12.13, 23, 27; Hebreus 9.22) e comer a carne do cordeiro, junto com pães asmos e ervas amargas, para tomada de consciência e identificação com o sacrifício (Êxodo 12.4, 8-11). Igualmente Jesus disse “comei e bebei” referindo-se ao pão, que retrata seu corpo partido por nós, e o cálice, que simboliza o sangue da nova aliança derramado para remissão de pecados (Lucas 22.14-20; 1 Coríntios 10.16-17; 11.24-26).

A memória da Páscoa deveria ser decreto perpétuo, celebrado como solenidade nas gerações futuras, anunciado de geração a geração (Êxodo 12.14, 26). Do mesmo modo, Jesus não fez questão de ser lembrado por seu nascimento, obras, milagres, palavras e ensino, mas determinou que repetissem a Ceia para memória de seu sacrifício na cruz: fazei isso em memória de mim (1 Coríntios 11.24-25).

Aleluia! Não estamos mais debaixo do jugo do Egito! Vamos arrancar todo o Egito de dentro de nós, celebrando a vitória do Cordeiro pascal que tirou nosso pecado (João 1.29) e lembrando perpetuamente nossa vida abundante em Cristo que um dia voltará para nos buscar e nos levar à sua presença (Atos 1.11; Apocalipse 19.9).

Pr. Rodolfo Montosa

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