E nós temos crido e conhecido que o senhor é o Santo de Deus (João 6.69 – NAA).
Depois de alimentar a multidão e realizar sinais, Jesus apresenta um ensino desafiador. Muitos discípulos dizem: Duro é este discurso; quem pode suportá-lo? (v 60) e deixam de andar com ele (v 66). A crise revela que alguns seguem Jesus pelo que ele oferece, enquanto Pedro permanece por quem Jesus é. Senhor, para quem iremos? O senhor tem as palavras da vida eterna, e nós temos crido e conhecido que o senhor é o Santo de Deus (vv 68-69). A fé não significa compreender tudo sobre Jesus, mas saber quem ele é e como suas ações estão encharcadas de graça, mesmo quando não compreendemos o que ele faz.
1. A santidade que revela quem Jesus é. Pedro está consciente de quem é Jesus. Não afirma ser ele um bom mestre, mas o Santo de Deus. Jesus não é apenas alguém que pratica a santidade. Ele é o Santo. Sua santidade revela sua identidade. Ele é absolutamente distinto, puro e separado do pecado. Isaías 6.3 declara: Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos. E aqui Pedro reconhece essa santidade em Jesus. Nossa fé não está fundamentada apenas naquilo que Jesus faz por nós, mas em quem Jesus é.
2. A santidade que confronta quem somos. A santidade de Jesus não se adapta às nossas expectativas. Quando Jesus apresenta um ensino difícil, muitos vão embora: Duro é este discurso (v 60). Jesus não muda sua mensagem para manter a multidão. Sua santidade confronta nosso orgulho, nossa autonomia, nossa religiosidade e nossas preferências. Na maioria das vezes Jesus não disse o que os discípulos e fariseus queriam ouvir, mas o que era, de fato, necessário que ele dissesse. A santidade de Jesus não existe para confirmar quem somos, mas para nos transformar.
3. A santidade que atrai. Jesus é santo e distinto, mas não é distante. Ele toca leprosos, recebe pecadores, acolhe rejeitados, chora com os que sofrem por sua irresistível graça. Sua santidade não o impede de se aproximar de quem quer que seja. Permanece santo enquanto demonstra amor. Nele encontramos verdade sem crueldade, graça sem permissividade, santidade sem distância. Jesus é tão santo que não pode ser contaminado pelo pecado e tão gracioso que não tem medo de se aproximar do pecador.
4. A santidade que sustenta. Pedro pergunta: Senhor, para quem iremos? (v 68). E continua: Nós temos crido e conhecido (v 69). Existem momentos em que não entendemos o que Deus está fazendo, mas sabemos quem ele é. Quando a resposta não vem, ele continua santo. E permanece santo quando a porta fecha, quando o caminho fica estreito, quando nossa fé vacila, quando não compreendemos. E o Santo de Deus fez da cruz do calvário o ato de consolidação. O Cordeiro sem pecado carrega o pecado. O Justo morre pelos injustos. O Santo se entrega para tornar santos aqueles que creem.
A vida espiritual nasce da graça que nos alcança e nos transforma. O capítulo 6 do evangelho de João termina com a clareza de Pedro em perceber a santidade de Jesus. Não porque entendeu tudo, mas porque estava vendo, sentindo e crendo em quem ele era. Ele é o Santo que se revela, o Santo que confronta, o Santo que atrai, o Santo que sustenta. Assim, a santidade não é uma escada pela qual subimos até Deus, mas o fruto da graça de Deus que nos alcançou por meio de Cristo. Por isso vivemos somente pela graça. Aleluia! Sola Gratia!
Daniel Zemuner


