Quando eu o vi, caí aos seus pés, como morto. Porém ele pôs a mão direita sobre mim e disse: — Não tenha medo. Eu sou o Primeiro e o Último (Apocalipse 1.17 – NTLH).
Você já passou por alguma situação na vida em que tenha ficado paralisado, sem reação com o que estava vendo? Recentemente, tenho colocado um hábito um tanto quanto inusual na minha rotina: o de me espantar. Logo pela manhã, seja no café, seja indo para o trabalho, tenho criado o costume de observar a natureza e o horizonte por algum momento, e o espanto é sempre inevitável.
Poderia pesquisar inúmeros termos e dados científicos para justificar a procura desse sentimento, mas a realidade é que o espanto tornou-se parte do meu relacionamento com Deus. Descobri que olhar a maravilha da criação, os seres vivos e a mais perfeita harmonia da natureza me coloca no lugar mais propício e verdadeiro na minha filiação divina: um lugar de dependência. Sou totalmente dependente daquele que é o único digno de receber todo e infinito louvor, e essa dinâmica com Cristo me sustenta. Eu preciso diariamente me espantar com o senhorio e a grandeza de Deus perante a minha vida, pois sinto que assim o vejo de verdade.
Talvez tenha sido esse também o sentimento e a descoberta do apóstolo João, mais especificamente quando Jesus abre os seus olhos para a eternidade. Quando lemos a passagem de Apocalipse, percebemos que, apesar do caráter apostólico do discípulo e de seu relacionamento íntimo com Jesus, nada se comparou a encarar Cristo em sua forma mais pura, totalmente glorificado. Um mix de sensações que deve ser difícil gerir, como foi para João em seu relato bíblico, mas carregado da certeza e da convicção de que estamos a poucos passos de estar face a face com aquele que ordena o Universo, aquele que é o Primeiro e o Último, aquele de cujo senhorio somos totalmente dependentes em nossa vida.
Se somos chamados para ser especialistas em vida, temos que ter nossos olhos voltados para a própria vida. E muito do que João certamente buscou nos evidenciar em sua visão é que esse encontro preenche a nossa alma, traz alento ao coração e nos coloca na exata posição em que vivemos a plenitude para a qual fomos criados: glorificar o nome do nosso Deus. E o melhor é que ele continua visível também nos nossos dias.
Gustavo Dias Menarim


