Tu me farás ver os caminhos da vida; na tua presença há plenitude de alegria, à tua direita, há delícias perpetuamente (Salmos 16.11 – NAA).
Davi teve incontáveis momentos de dificuldade na vida: situações familiares complicadas, perseguições do rei Saul e de inimigos, queda em pecados vergonhosos, complicações em seu reinado. Apesar das circunstâncias adversas, Davi construiu uma fé inabalável em Deus e encontrou permanente alegria na sua presença. Esse Salmo 16, particularmente no verso 11, é um lindo poema de sua autoria que revela o caminho, o ambiente e a duração da alegria prometida pelo Senhor.
A alegria não é encontrada de maneira automática, não é efeito de um download do céu, não está disponível em uma prateleira do mercado, nem é uma cápsula que se compra na farmácia. A alegria é algo a ser construído, um processo que amadurece nosso mundo interior e nos ensina leituras corretas do mundo exterior, resultante da maneira como agimos e reagimos. Sim, a alegria tem caminho (Tu me farás ver os caminhos da vida). O salmista descobriu que o Senhor quer nos fazer ver os caminhos da vida que trazem alegria para fugirmos dos caminhos que intoxicam e nos levam à morte. Jesus é quem nos guia para a vida cheia de alegria em todas as suas expressões e riqueza.
Nessa caminhada, muitas vezes escondido nas cavernas, ou em liberdade junto às águas de descanso, Davi desenvolveu a prática de permanecer no ambiente da presença do
Senhor onde há plena alegria. Sim, a alegria tem ambiente (na tua presença há plenitude de alegria). Esse ambiente está dentro do coração que sabe se posicionar na presença do Pai e independe do contexto exterior. Esse ambiente é regado por gratidão, nutrido por oração, cercado de louvores, encharcado de súplicas, mergulhado na contemplação, em vínculos de comunhão com o povo de Deus, ora em risos, ora em lágrimas. Davi soube construir esse ambiente da presença de Deus.
Deixando-se ser guiado no caminho e aprendendo a permanecer na presença do Senhor, o salmista tem clareza escatológica de que essa alegria jamais acaba. Sim, a alegria tem eternidade (à tua direita, há delícias perpetuamente). O salmista indica com a expressão delícias de que a alegria é progressiva. Fica claro que não é alegria do tipo passageira e condicional, mas alegria dos céus, como Deus a tem, como está escrito: no céu está o nosso Deus e tudo faz como lhe agrada (Salmos 115.3), ou seja, tudo faz para a sua alegria.
Deus nos fez para a sua alegria, mas também para a nossa alegria. Segundo o coração do Pai, nosso destino é a alegria. Jesus é nossa alegria. Aliás, cristianismo sem alegria é contradição, pois a alegria faz parte do reino de Deus (Romanos 14.17). Há um caminho a percorrer, um ambiente para permanecer e uma eternidade para desfrutar da alegria do Senhor.
Pr. Rodolfo Montosa