Salmo do bem-aventurado

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Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes, o seu prazer está na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite. Ele é como árvore plantada junto a corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha; e tudo quanto ele faz será bem-sucedido.Os ímpios não são assim; são, porém, como a palha que o vento dispersa.Por isso, os perversos não prevalecerão no juízo, nem os pecadores, na congregação dos justos. Pois o Senhor conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios perecerá (Salmos 1).

Do hebraico bíblico do Antigo Testamento tem-se a expressão ‘esher traduzida para o português como bem-aventurança, felicidade, alegria. Refere-se a uma pessoa profundamente abençoada, graciosamente beneficiada, misericordiosamente favorecida, na integralidade da vida, tanto no aspecto material, quanto espiritual; tanto na dimensão pessoal, quanto familiar e comunitária. No Novo Testamento, a expressão no grego é makarios, e traz o mesmo sentido de alguém sobejamente ditoso, bem-fadado, bendito, bem-sucedido, próspero. Em latim, a palavra felix  queria dizer, originalmente, fértil, frutuoso, fecundo. Mais tarde, por extensão metafórica de sentido, passou a referir-se ao que é propício, favorável. Felix tornou-se sinônimo de afortunado, alegre, satisfeito, realizado, de onde nasce a expressão felicitas, em português felicidade.

Seja qual for a língua, em todo o tempo na história, em qualquer lugar no globo, a humanidade sempre expressou seu anseio para ser bem-aventurada, de maneira verdadeira e permanente. Este primeiro salmo do saltério traz importantes lições a respeito de uma pessoa que alcançou a posição abençoada, feliz e cheia de alegria dada por Deus, chamada de bem-aventurada.

O salmista inicia alertando para o que nos afasta de sermos bem-aventurados. Tudo começa quando deixamos nossos pensamentos serem influenciados pelos conselhos das pessoas que não conhecem a Deus, chamadas de ímpias. Sem perceber, vamos mudando nosso comportamento, passando a nos deter no mesmo caminho daqueles que desobedecem as orientações de Deus, chamados pecadores. Esses comportamentos vão nos levando cada vez mais longe, até que, surpreendentemente, passamos a nos assentar entre aqueles que questionam o próprio Deus, chamados escarnecedores, reputação de quem murmura, reclama e azeda a vida. Aqui está a progressão de comprometimento: começa a andar, acostuma-se a deter até a decisão de assentar-se. Diz também da progressão do perfil das pessoas que o influenciam: começa pelo ímpio, que é alguém sem Deus; simpatizando-se com o pecador, que é alguém que deliberadamente peca; até identificar-se com o escarnecedor, que é alguém que zomba de Deus. Diz, por último, da progressão do campo de ação da área da vida, começando com o conselho,no campo do pensamento; seguindo para o caminho, no campo do comportamento; até chegar à roda, que identifica o campo do pertencimento.

A contrapartida é logo apresentada pelo salmista com o que nos aproxima de sermos bem-aventurados. Ao invés do conselho dos ímpios, o prazer dos pensamentos do bem-aventurado está na lei do Senhor. Ao invés do caminho dos pecadores, o bem-aventurado foi plantado como uma árvore que está junto aos ribeiros de águas. Ele foi plantado, não se plantou. Essa é a obra de Deus feita por ele. Os méritos estão no Senhor que o plantou. Significa que o comportamento bem-sucedido será consequência natural do novo coração plantado nele. Comportamento é consequência e não origem da bem-aventurança. Por isso, tudo o que fizer será bem-sucedido. O resultado natural será dar frutos no devido tempo (caráter), ter suas folhas sempre viçosas (reputação). Abrindo um parêntese para compreender a diferença entre reputação e caráter: reputação é o que pensam que você é quando lhe veem. Caráter é o que você é quando ninguém vê. Reputação é sua imagem quando chega a um novo grupo de amigos. Caráter é o que dizem os velhos amigos a seu respeito. Reputação maior que o caráter é hipocrisia. Reputação menor que o caráter é difamação. Por fim, o texto revela que o pertencimento desse homem não é, definitivamente, a roda dos escarnecedores. Ao contrário, ele foi considerado justo pela obra que Deus fez por ele e, por isso, inserido na congregação dos justos.

Quer ser bem-aventurado? Entregue sua vida para ser enxertada junto à videira verdadeira, colocada à beira do rio da vida, ter seu fruto no tempo certo e ser bem-sucedido em tudo na vida.

Pr. Rodolfo Montosa

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