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Santo descanso

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Santo descanso

Logo, ainda há um descanso definitivo à espera do povo de Deus (Hebreus 4.9 – NVT).

O filósofo sul-coreano Byung-Chul Han se debruçou sobre o tema da exaustão e produziu o ensaio Sociedade do cansaço, publicado no Brasil em formato de livro pela editora Vozes. No texto, Han argumenta que cada época possui epidemias próprias, como as doenças bacteriológicas e virais que marcaram o século 20. O mal do presente século, segundo ele, é o cansaço que tem se tornado patológico em toda a sociedade. A causa raiz, segundo o autor, é termos nos tornado uma sociedade de desempenho, exigindo seres humanos muito produtivos e pouco contemplativos.

Diante dessa realidade, nossos olhos se fixam na Bíblia para identificar a maravilhosa verdade de que Deus inventou o descanso: Assim, pois, foram acabados os céus e a terra e tudo o que neles há. E, havendo Deus terminado no sétimo dia a sua obra, que tinha feito, descansou nesse dia de toda a obra que tinha feito. E Deus abençoou o sétimo dia e o santificou; porque nele descansou de toda a obra que, como Criador, tinha feito (Gênesis 2.1-3 – NAA). Observe que Deus inventou, abençoou e santificou o descanso: santo descanso. Curioso notar que a própria Bíblia aponta que o eterno Deus, o Senhor, o Criador dos confins da terra, nem se cansa, nem se fatiga (Isaías 40.28). Importante entender que não existe contradição entre as duas passagens. O sentido do descanso no sétimo dia para Deus em Gênesis foi de cessar, pausar, acabar, encerrar a atividade criativa, pois estava completa. Descansar para Deus traz, então, o sentido de desfrutar, contemplar, aproveitar. Curiosamente, no sexto dia, Deus criou o homem. Logo, o primeiro dia do homem foi o dia de descanso de Deus. Observe que linda posição temos diante de Deus que para tudo para se relacionar conosco. Além disso, outro sentido do sábado foi de ensinar a importância de aprender a descansar, desfrutar, aproveitar, interrompendo nossas atividades de trabalho em base semanal.

Infelizmente, na sequência dessa linda história, Adão inventou o cansaço, como consequência de ter desrespeitado o limite de confiança dado por Deus: Por ter dado ouvidos à voz de sua mulher e comido da árvore que eu havia ordenado que não comesse, maldita é a terra por sua causa; em fadigas você obterá dela o sustento durante os dias de sua vida. Ela produzirá também espinhos e ervas daninhas, e você comerá a erva do campo. No suor do seu rosto você comerá o seu pão, até que volte à terra, pois dela você foi formado; porque você é pó, e ao pó voltará (Gênesis 3.17-19 – NAA). O pecado introduziu o desequilíbrio que gera cansaço, fadiga, exaustão. Há alguns anos, uma pesquisa realizada por importante instituto demonstrou que 98% dos brasileiros se sentem cansados mental e fisicamente. Os jovens de 20 a 29 anos representam a maior fatia dos exaustos. A tendência aparece em outros lugares. De acordo com o Conselho Nacional de Segurança dos Estados Unidos, 43% dos trabalhadores do país dormem menos do que o período recomendado pela Fundação Nacional do Sono.

Para tratar dessa questão, Jesus resgatou o descanso quando veio ao mundo para resolver a equação do cansaço que nasce no mundo espiritual e desce para nossa alma. Espiritualmente, Jesus pagou o preço para quitar nossa dívida definitivamente e venceu a origem do cansaço: o pecado. Para nossa alma, deixou o lindo convite: Venham a mim todos vocês que estão cansados e sobrecarregados, e eu os aliviarei. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, porque sou manso e humilde de coração; e vocês acharão descanso para a sua alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve (Mateus 11.28-30 – NAA). Isto confirma a verdade: Logo, ainda há um descanso definitivo à espera do povo de Deus. Porque todos que entraram no descanso de Deus descansam de seu trabalho, como Deus o fez após a criação do mundo. Portanto, esforcemo-nos para entrar nesse descanso (Hebreus 4.9-11– NVT).

Outra linda declaração do salmista nos ajuda: Leva-me para junto das águas de descanso (Salmos 23.2). Como pastor, Davi sabia muito bem as necessidades das ovelhas. Sua declaração nos revela que existem águas de descanso para onde o pastor quer nos levar. Aliás, só ele pode nos levar! Contudo, precisamos perceber outras realidades a serem enfrentadas.

A realidade da sequidão. Ficamos sedentos, desidratados, destinados à morte. Sequidão é a ausência de água, distância de água. Representa as regiões desérticas. Vale a pena gastarmos um tempinho para entendermos a dinâmica climática de Israel. Logo após a chuva, formam-se poças d’água. Muitas vezes, as ovelhas tropeçam e caem nas poças, ficando todas envoltas por lama. Quando a lama seca, fica uma carapaça dura infiltrada em toda a lã ao redor do corpo das ovelhas, produzindo um peso grande para ser carregado, que as faz ficarem bem cansadas. Muitas vezes, essa lama envolve o pescoço das ovelhas, causando falta de ar, sufocamento. Nesse momento, as ovelhas precisam que o pastor as leve a águas tranquilas. É o que acontece quando estamos distantes de Deus, separados da sua comunhão. Essa distância é consequência do que o pecado produz em nossa vida (Salmos 32.4). Torna-se necessário confessar e abrir nosso coração ao único que pode nos ouvir com sensibilidade e amor e nos lavar do peso da lama.

A realidade das águas turbulentas. Ficamos nos debatendo em desespero, correndo o risco de morrer afogados. Agitação, ansiedade, medo e tantos outros sintomas invadem nosso coração, causando sufocamento. Torna-se necessário nos rendermos ao único que pode nos salvar, assim como um salva-vidas só pode resgatar quando a vítima se entrega aos seus cuidados.

A realidade das águas de descanso. Ao confessarmos e nos rendermos, experimentaremos a condução de quem nos conduz à profunda paz interior, que independe das circunstâncias exteriores. Descanso do passado perdoado por Jesus; do presente na presença do Espírito Santo; do futuro nas moradas do Pai. Descanso espiritual que conduz ao descanso emocional, que resulta no descanso físico.

Assim como o primeiro dia de Adão aconteceu no dia de descanso de toda obra maravilhosa feita por Deus, podemos viver permanentemente em descanso quando aceitamos a obra perfeita e completa feita por Jesus na cruz. Em Jesus, podemos experimentar real descanso em nossa vida financeira, em nossos relacionamentos, em nossos afazeres. Nele, aprendemos a dar um tempo diário, para dormir bem, semanal, para contemplar sua linda obra, anual, para um tempo de férias. Descanso, em Jesus, torna-se um estilo de vida. O definitivo lugar de descanso para o povo de Deus é o próprio Deus. Jesus não é somente quem nos leva às águas de descanso. Ele mesmo é a essência do descanso, do santo descanso.

Rodolfo Montosa

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